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segunda-feira, fevereiro 28

A "revolução popular" no oriente médio o que é verdade e o que é mito?

Falar da "revolução" que ocorre no chamado Oriente Médio, é algo complexo e arriscado não só devido a distância em quilômetros que nos separa mas principalmente pela distância histórica, religiosa e cultural. Mesmo correndo o risco decidi por a prova minhas idéias e opiniões acerca do que acontece naquele pedaço conturbado do mundo. 

Uma das coisas que causou-me espanto foi quando vi, através das mídias predominantes, no começo dessa "revolução" ( que pretendo chamar de revolução entre aspas pois acredito que possam ser em verdade revoluções devido as características particulares em cada país ) foram os diagnósticos feitos de imediato por essa mesma mídia predominante de que esta seria a primeira revolução das mídias sociais, revolução pela democracia no oriente médio, etc.

Causou-me espanto na realidade, sempre fiz idéia de que este países, em virtude da pobreza, da repressão e dos costumes sociais, tivessem uma comunidade de usuários de internet, principalmente de mídias sociais (blogs, twitters, facebook,etc.) bastante reduzida e elitizada e portanto separada daquilo que se poderia de chamar de massa popular. Faltam-me dados sobre o quantitativo e sobre o perfil desses internautas no Oriente Médio, mas mesmo no Brasil onde as mídias sociais são muito mais difundidas seria difícil conseguir um tão alto grau de mobilização popular como ocorreu naqueles países. Portanto creio ser um mito criado, me minha opinião, para mascarar a verdadeira origem desta chamada "revolução".

Outro fator que me incomoda nas analises que tenho lido sobre esta "revolução" é exatamente isso, unificar as diversas revoltas que ocorrem em diferentes países como todos seguissem a mesma direção e orientação de uma chamada "revolução democrática", conceito este também feito de bate-pronto pelas mídias predominantes. 

Como consequência  vejo por parte de setores políticos de esquerda (PSOL, etc) a explicação de que esses movimentos seriam democráticos e que seriam liderados pelos chamados setores populares ou pela sociedade civil desses países. Qual o problema disso? É exatamente essa generalização onde pegamos diferentes movimentos de contestação de diferentes origens e países e misturamos tudo num liquidificador e rotulamos como uma coisa só.

Agora algumas perguntas que faço a mim mesmo: Quem são esses setores populares? Quem é a sociedade civil destes países? É possível crer que nesses países exista de fato uma sociedade civil organizada com força para levar a frente protestos populares capazes de derrubar regimes até ontem incontestáveis? Que história esta por detrás de tudo isso? Infelizmente vejo apenas duas respostas consistentes: Organizações muçulmanas fundamentalistas e grupos de oposição com financiamento externo, em todo caso qualquer uma das respostas não trará nem paz, nem soberania e muito menos democracia ao chamado Oriente Médio.

Alguns dados sobre acesso à internet (porcentagem da população):
- Egito: 16.6%
- Iemen: 1,6%
- Líbia: 5,1%
- Tunísia: 27,1%
- Iraque: 1%
Dados do Banco Mundial de 2008 disponíveis no Google Public Data

continua..